LIVRO: VAMPIRISMO, ENTREVISTA COM UM EX-SATANISTA

Vampirismo satanismo
O que é um vampiro?
Um vampiro... bem, permita-me dar-lhe uma definição clássica e então darei a definição real. Classicamente, um vampiro é um cadáver ambulante que dorme de dia em um caixão ou em algum lugar isolado da luz do sol e que se levanta à noite e subsiste bebendo o sangue de seres vivos. Essa é praticamente a lenda universal em todas as culturas do planeta, da China à Grécia, inclusive entre os índios das Américas do norte e do sul. Todos têm alguma versão disso. 


Agora, na verdade, um vampiro é um membro de um culto real. Há uma seita de vampiros que basicamente inicia as pessoas, como na maçonaria e outras do gênero, e eles acreditam que podem obter poderes sobrenaturais e que, depois da sua morte, três dias depois, poderão se levantar como cadáveres animados de um vampiro completo. E há certas coisas que os vampiros podem fazer e outras que não. Por exemplo, os vampiros não gostam da luz do sol. Eles não lidam bem com a luz do sol. Não gostam de alho porque o alho é um purificador de sangue. E é claro, não gostam de símbolos religiosos cristãos. Por outro lado, algumas dessas coisas vêm de Hollywood, pois nunca vi um vampiro se transformar em morcego. Nunca vi um vampiro se transformar em uma neblina e flutuar sob a porta ou se transformar em um enxame de ratos, como você lê no livro “Drácula”. Mas eles parecem ter controle sobre alguns elementos e realmente têm os caninos grandes, que são utilizados para beber o sangue de seres vivos. Acho que está bom para começar. Podemos certamente desenvolver daí.

Como e por que você se tornou um vampiro?

É uma pergunta muito boa. Muita gente me pergunta isso. Bem, entenda que eu estava trilhando o caminho do satanismo, e em um ponto nesse desenvolvimento, você tem que “Atravessar o Abismo”, como é chamado, e aí tem que fazer uma escolha — e pode haver diferentes escolhas em diferentes partes do mundo — mas onde eu estava me disseram que eu teria que me tornar ou um lobisomem ou um vampiro. E conheci algumas pessoas que eram mutantes em sua forma, podiam se transformar em outras coisas, e diziam que era algo extremamente dolorido, então pensei: “Não quero ficar sentindo dor.” 

E a coisa do vampiro soou mais sexy e erótica para mim e por isso, preferi seguir essa linha, pois era uma escolha que eu tinha. Ou você escolhe uma das duas ou não “cresce” mais dentro da magia negra. Por isso fiz a escolha.

Por quanto tempo você foi um vampiro?

Bem, provavelmente por uns dois anos. Por aí.

Qual é a diferença entre um vampiro real e um vampiro de “faz-de- conta"?

Bem essa é a questão. Hoje, principalmente, parece que o advento dos livros de Anne Rice e com filmes como “Entrevista com um vampiro”, as crianças, os jovens, querem ser vampiros — com uma subdivisão do mundo dos góticos. A diferença é que, principalmente, eles meio que agem assim. 

Ou se vestem como eles, colocam maquiagem para ficar com o rosto pálido e até usam lentes de contato — já as vi vendendo em algumas óticas, que fazem os olhos ficarem parecidos com os de uma serpente, ou como se estivessem sangrando, vermelhos, como os olhos do Drácula. E essa gente sai assim por aí e, na maioria das grandes cidades, existem clubes noturnos de vampiros. 

Há lugares nos quais você pode ir e tentar agir como um vampiro. Alguns deles até bebem sangue de verdade, mas fazem isso de forma mais desalinhada. Ou levam lâminas de barbear e cortam o pulso de alguém e bebem um pouco de sangue. Afirmam que isso é a forma mais íntima de sexualidade, porque é uma troca de energia. O que é bastante verdade. Mas certamente Deus Yahweh nos proíbe de beber sangue. Permita-me ser bem claro, eu fui um Vampiro do Primeiro Grau. Não tive que “morrer”. Bem, isso é óbvio, ou não estaria aqui falando sobre isso. (risos) A crença é que no primeiro nível de ser um vampiro, você ainda é um ser humano vivo e então, quando morre, você se torna um vampiro completo. No nível no qual eu estava, não precisava usar uma lâmina de barbear para beber sangue e, pelo que entendi, esses vampiros de “faz-de-conta” comem também. Comem comida mesmo, até bebem sangue, mas comem também comida, mais ou menos normal. Apesar de que tendem a comer muita coisa como carne crua, coisas sangrentas e outras assim, ainda consomem comida comum. Eu não podia comer nada disso. Quando fui iniciado como vampiro, se tentasse comer alguma coisa, vomitava. E se tentasse beber água, vomitava. As únicas coisas que podia comer eram sangue humano e a hóstia da Igreja Católica Romana.

Como se sentiu com isso?

Bem, ficou monótono depois de um tempo, (risos) Há uma urgência em se beber sangue, quero dizer, o sangue é realmente uma das coisas mais viciantes. Há pessoas que se tornam viciadas em beber
sangue, assim como há pessoas que se viciam em drogas ou em outras coisas estranhas. Mas, apesar de tudo isso, você tem essa urgência momentânea em beber sangue. Então você passa oito ou nove do dia pensando: “Caramba, como queria uma pizza! Como queria um hambúrguer!”. (Risos)
Quero dizer, isso parece trivial ou bobo, mas ainda assim é muito difícil. Eu sabia que se comesse essas coisas, iria somente vomitá-las. Mas, por outro lado, conseguiria sobreviver facilmente bebendo sangue de alguma outra pessoa do nosso grupo. E também celebrava a missa católica todos os dias e consumia a hóstia, e aquilo parecia me sustentar. Mas era muito monótono.
Você disse que eles mudam os olhos. Os seus olhos ficaram diferentes?
Exceto o fato de que naquele período eu tinha uma excelente visão noturna, o resto é coisa criada por Hollywood. Conheci dois ou três vampiros reais, incluindo a pessoa que me iniciou e nenhum deles tinha olhos estranhos. Bem, sei por algumas fontes confiáveis que Anne Rice, autora do romance “Entrevista com um vampiro”, dentre outros, certamente esteve em contato com vampiros de verdade. Por que a pele deles — aconteceu com a minha pele também — fica muito bonita, transparente, brilhante. Você quase que consegue ver a veias como vidro colorido através da pele, no rosto e nas mãos. Mas... desculpa, perdi o fio da meada.
Estava falando dos olhos.
Não, meus olhos pareciam bem normais, a não ser o fato de que eu tinha uma excelente visão noturna. Quero dizer, eu conseguia ver na total escuridão. O que era bom porque eu estava dormindo em um caixão, que era totalmente escuro. Quero dizer, não há luz alguma dentro de um caixão.
Puxa! Quando você disse que a hóstia católica o mantinha vivo, o que quis dizer com isso?
Bem, na fé católica há a doutrina de que a hóstia e o cálice de vinho contêm todo o corpo, o sangue, a alma e a divindade de Jesus Cristo. Então, no meu caso, como eu era padre, podia tanto beber do cálice quanto comer a hóstia. Mas isso pouco significava. Em ambos os casos, eu estava na verdade consumindo o corpo inteiro de um homem adulto de 33 anos, de acordo com a doutrina católica. Então o conceito é que aquilo era “sangue” o suficiente para me manter vivo. Agora vamos recuar nisso um passo e pense: o quanto isso é estranho? Há poder demoníaco o suficiente na hóstia do catolicismo romano para manter um
vampiro vivo? Quero dizer, as implicações que eu ponderaria para o católico comum é que comungar todos os domingos é bem mais descomunal do que eu achava. Porque eu era um vampiro que havia me entregue totalmente ao diabo e celebrava a missa católica todos os dias.
Então em um único dia, quantas hóstias você comia?
Somente uma.
Você conseguia se sustentar o dia inteiro com apenas uma hóstia, que deve ter apenas mais caloria?
Sim, mais o vinho.
Você conseguiria viver para sempre comendo apenas uma hóstia por dia?
Não!
Também precisava do vinho?
Sim, eu precisava de sangue. Sangue humano, na verdade.
E com que freqüência você precisava de sangue humano?
A cada dois dias, basicamente. Mas a necessidade crescia. Como qualquer vício, você vai precisando cada vez mais. Então, no início, talvez duas vezes na semana bastavam. Depois passei a precisar de três vezes na semana, além de celebrar a missa diariamente. E, por fim, se tornou uma necessidade diária. Então a coisa começou realmente a se intensificar.
Você disse que seus caninos cresceram. Pode explicar como é esse processo? Quero dizer, seus dentes agora não são capazes de perfurar o pescoço de ninguém.
Bem, não, mas antes podiam, e a coisa funcionava de forma engraçada. Na verdade, o que acontece é que, sem ser vulgar, é quase como uma reação a um estímulo sexual. Quando até mesmo um vampiro do primeiro grau está com fome e fica na presença da “comida”, ocorre uma excitação, só que é uma excitação nos dentes. Essa é a forma mais delicada que consigo colocar a coisa. Então seus dentes crescem cerca de
1,5cm, e ficam bem pontudos. E você começa a salivar uma saliva grossa, cheia de cocaína...
E a cocaína é um anestésico local, não é verdade?
Sim, e quando você ataca a pessoa — no meu caso, eu sempre atacava mulheres — você a lambe algumas vezes porque é algo erótico e isso adormece a carne e então você pode mordê-la e beber o sangue. A mesma saliva age como um remédio rápido. Há algo nela. As pessoas podem pensar: “Que coisa bizarra! Como isso pode ser verdade?” Bem, o engraçado é que durante esse período ... (risos)... soa muito engraçado — um vampiro indo ao dentista, mas eu tinha um amigo que estudava odontologia e insistiu para que eu fosse fazer um tratamento com ele na própria universidade, porque eu não tinha dinheiro para fazer isso por minha conta. Então fui lá e ele começou o tratamento. Isso foi antes dos dentistas terem de usar luvas de borracha, antes de surgir a AIDS e tudo mais, e então ele começou o serviço e disse: “Você tem a saliva mais grossa e estranha que já vi.” Ele estava no quarto ano de odontologia, então já tinha visto muitas bocas. E, de repente, deixou tudo cair e disse: "Meus dedos estão ficando dormentes!”
Mmmm!
E não entendia por que isso estava acontecendo. E disse: “É como se alguém tivesse colocado novocaína (uma droga anestésica) em meus dedos.” Então ele teve que recuar e esperar uns 10 ou 15 minutos e foi obrigado a colocar as luvas de borracha e só assim conseguiu terminar o serviço em os meus dentes.
Puxa!
Não sei se as pessoas sabem disso, mas todas as coisas diferentes
como procaína, novocaína, que são usadas pelos dentistas, são, na verdade, analogias, quimicamente, da cocaína original.
E que tipo de apetite você tinha?
Quer dizer, por sangue?
Bem, por tudo.
Eu tinha um apetite por coisas comuns que as pessoas gostam, mas se eu colocasse algo em minha boca, isso me daria náuseas. Então eu era mais ou menos formado a não conseguir comer nada, a não ser sangue. Eu acordava no meio da noite — porque havia dormido o dia inteiro — e acordava com uma fome enorme.
E não havia nenhum copo de sangue na geladeira, não é?
Bem, em geral não. Mas o que eu fazia era ir correndo celebrar uma missa, o que é incomum porque você não deve celebrar uma missa católica depois do pôr-do-sol, a não ser em raras ocasiões. Mas trata-se, sem dúvida, de uma circunstância especial. E então, tipicamente, uma das garotas que estava no grupo conosco aparecia e eu mordia o pescoço dela.
O que você teve de fazer para se tornar um vampiro?
Bem, é um longo processo, mas você começa tomando algumas ervas específicas, as quais não irei citar, porque não quero ninguém mexendo com isso. E também enormes doses de vitaminas B, por incrível que pareça. Além disso, você começa cultivando, como uma prática meditativa, a idéia de ser o que é chamado de um Vampiro Mental. Você começa a aprender como sugar energia das pessoas. E isso durou vários meses. E eu fiquei craque nisso.
As pessoas ficavam exaustas ao seu redor?
Eu era um vampiro muito educado. Em geral, sugava energia só de estranhos. Como a pessoa sentada ao meu lado no ônibus, por exemplo. Eu conseguia de fato drenar energia das pessoas que estavam sentadas ao meu lado, em pé ao meu lado, não importava. E, na época, recebi um anel especial que me facilitava esse processo. Era um anel especial de ágata (pedra preciosa), com uma pedra escura grande que eu podia usar para coar o ponto da minha prática meditativa quando estava longe de casa. Então o passo seguinte foi tomar doses crescentes de cocaína que, como se sabe, é altamente viciante. E também muito perigosa. Você pode facilmente ter taquicardia ou sofrer uma parada ou um ataque cardíaco. Mas rapidamente, por causa das coisas que já relatei, eu havia me preparado para consumir altas doses de cocaína. E isso, novamente, por um período de semanas. Além disso, comecei a celebrar uma missa específica chamada de Missa Nosferática. A palavra “nosferatu” é romena, eu creio, significa “não-morto”. Então nos referíamos a todo esse processo como o Processo Nosferático da Magia. E quando digo “processo”, estou me referindo a algum tipo de linha de poder, como o processo wiccano, o processo vodu ou o processo Crowley. Bem, este era o processo nosferático e isso, na verdade, envolvia, em vez de fazer uma missa na qual você ... bem, na teologia católica,você, supostamente, transforma Jesus Cristo no pão e no vinho. E essa era uma missa na qual você transformava essas coisas no corpo, sangue, alma e divindade de Vlad Tspech, que é uma pessoa real na qual a história de Drácula se baseia. Ele, na verdade, foi um nobre do século 15, de Wallach, parte da Transilvânia, sabe, a velha “Esta é Transilvânia”, esse tipo de coisa. Então
celebrávamos essa missa e eu consumia os elementos sacramentais e começava a me transformar de dentro para forma. E então conseguia tomar crescentes doses de cocaína. E, é claro, há muita ansiedade envolvida com isso também, porque eu sentia que havia mudanças ocorrendo dentro de mim. Verdadeiras mudanças químicas. E, na verdade, meu tipo de sangue chegou a mudar. O fator rH do meu sangue mudou, era algo antes de eu ser vampiro e ficou diferente depois.
Mudou do quê para quê?
Não consigo me lembrar, acho que era O positivo e agora é O
negativo.
E ainda é O negativo?
Sim, ainda é. E então, por fim, em uma única noite, eu tomei 50 fileiras de cocaína, que é uma quantidade enorme de cocaína.
Isso normalmente mataria alguém?
Sim. E, ao fazer isso, de repente, meu mestre, se quiser, o Mestre Vampiro que me iniciou, entrou no recinto. Eu não esperava por isso. Porque era na nossa casa. Eu tinha uma capela em casa como já disse antes e não estava preparado para isso, e ele disse: “Bem, chegou a hora”. Então ele veio e me mordeu no pescoço e, quase exatamente como vemos em alguns filmes, ele abriu o peito, rasgou seu peito com unhas realmente longas — tínhamos quase que garras — e me puxou e me fez sugar seu peito e beber seu sangue. E, ao fazer isso, da mesma forma como se ordena os padres na Igreja Católica, colocando as mãos na sua cabeça e dizendo certas palavras mágicas e então “puf”, você é um padre. Bem, enquanto eu bebia seu sangue, ele colou suas mãos sobre minha cabeça e algo aconteceu comigo. Naquele momento, o “vírus” de vampiro
— apesar de ser algo mais do que um vírus — tanto espiritual quanto fisicamente — foi passado para mim. Foi aí que eu cruzei a linha e não podia mais comer comida alguma, porque meu apetite por comida havia diminuído. E, é claro, a cocaína leva embora o seu apetite. Quanto mais coca você toma, menos apetite você tem. É por isso que alguns viciados em cocaína parecem mesmo cadavéricos. Então, de alguma forma, foi mais ou menos assim que fiz a transição. Mas quero explicar que isso aconteceu no contexto de um ramo muito estranho e esquisito da Igreja Ortodoxa Russa. Há muitas lendas e coisas assim. A maioria da sabedoria vampiresca que temos na América e em Hollywood vem da Europa Oriental, da Russa, da Eslováquia, da Valáquia, da Transilvânia, da Romênia e da Hungria. E esse homem que me treinou me disse que havia um ramo especial da Igreja Ortodoxa Russa que, na verdade, carregava
esse segredo ao longo dos séculos e que era uma fé sagrada que remetia, acredite ou não, a Jesus. E que Jesus criou o primeiro vampiro quando ressuscitou Lázaro dos mortos. E nessa época, preste atenção, quando estava fazendo isso, eu estava no seminário católico. Então tinha conhecimento suficiente da Bíblia e acreditei na coisa. Pensava que estava fazendo algo sagrado. Pensei que fosse me tornar... e tudo isso era recitado em wallachiano”, a antiga língua de Nesferatu, mas me disseram que eu acabaria me tornando um Anjo da Morte e que meu trabalho seria em uma cidade grande, estar ao lado das pessoas que estão morrendo a fim de absorver sua energia vital e tirar a vida delas e colocá-la no anel que falei. E então pegar a energia e transmutá-la para o cosmos, o que supostamente era algo bom, porque sem isso, ninguém morreria.
Puxa!
Bem, foi isso que me disseram e pareceu, de uma maneira estranha,
algo nobre. Mas só aconteceria depois que eu morresse e seria minha segunda grande iniciação no Vampirismo, morrer mesmo. Mas isso levaria alguns anos. Então, naquele ponto, já era uma experiência muito estranha — beber sangue que saía do peito desse cara e a energia que estava fluindo, e o poder que estava fluindo. Quase perdi a consciência. Mas o resultado final foi que me tornei um vampiro de verdade, e a parte do discípulo era que eu tinha que fazer um caixão especialmente desenhado. Ele tinha anjos específicos nele, de acordo com a megapolisomancia. Alguns selos específicos nas laterais. Teria que ser marcado com certos tecidos... Era desenhado para ser exatamente, exceto pelo ouro, parecido com a Arca da Aliança ou um tabernáculo católico — a caixinha que você coloca hóstia quando não a está usando. Então, por fim, quando eu finalmente fiz essa transição... e a outra coisa que eu tive que fazer antes dessa iniciação foi ir ao cemitério da minha cidade natal, a pequena cidade na qual fui criado, e encher um saco de lixo com a terra “sagrada” daquele cemitério católico. E, outra vez, está o catolicismo presente aqui. Então tive que forrar o fundo do meu caixão com essa terra “sagrada”. Não só isso, mas tinha que usar, no fundo dos meus sapatos como se fosse a sola essa terra “sagrada”.
Que estranho!
Então onde quer que eu fosse, tinha a terra “sagrada” da minha cidade natal comigo.
O tempo todo?
Sim, senhora.
Não era desconfortável?
Bem, dava para agüentar.
Você é certamente alguém muito zeloso e devia ser assim.
Sim, eu era.
Como se sentiu quando lhe disseram que você teria que ser um vampiro mental e deixar as pessoas nos ônibus esgotadas?
Bem, entenda que minha conduta, e você está certa, eu era um vampiro muito “legal” no sentido de que nunca tomava sangue ou energia demais das pessoas. Então andava muito de ônibus e ia para um lugar onde houvesse muita gente, digamos umas 20 pessoas, não sei como quantificar isso, digamos que seja volt, se você pegar 5volts de 20 pessoas, então você tem 100 volts. E tudo o que precisa saber era que eu podia fazer isso. Era um passo transacional para outras disciplinas mais sérias.
Você já pegou sangue de pessoas que não queriam?
Era muito rápido. O acordo implícito que eu tive com todas essas mulheres no grupo que eram minha “adega” particular era que eu nunca pegaria sangue demais delas. Porque, obviamente, nenhuma delas queria morrer. E algumas vezes, nesse progresso, cheguei ao ponto no qual bebi mais sangue do que a mulher era capaz de agüentar, e ela começou a se retorcer ou até mesmo a desmaiar devido à falta de sangue. E, felizmente, minha mulher foi treinada... ela havia estudado enfermagem e era capaz de ajudar. Mas eu nunca, não que eu saiba... Tive pesadelos nos quais pensei que isso podia acontecer, mas não que eu saiba conscientemente. Ou pode ser que eu tenha fantasiado alguma coisa disso. Porque o único trabalho que eu pude arranjar no terceiro turno foi encaixotando jornais para um jornal noturno. Então eu dirigia durante à noite e via prostitutas ou pedestres perambulando pela North Avenue, em Milwaukee, sozinhos. E, quero dizer, minhas mãos se agarravam fortemente ao volante, pois eu tentava lutar em não parar o carro e saltar em seus pescoços. Porque um “gole” de sangue à noite não seria o suficiente.
Você estava com fome grande parte do tempo?
Oh, sim. A fome era a pior parte. Você fica quase sempre com um pouco de fome. Mas quando chega a noite, você fica faminto. Minha fome era tanta que eu celebrava duas ou três missas por dia, em total desespero, para não ter que sair e matar alguém.
E eles lhe disseram que você ficaria com tanta fome antes de o convidarem para se tornar um vampiro?
Não. Não me disseram muita coisa. É assim que o diabo trabalha. Ele nunca fala do lado ruim das coisas nas quais você se mete. Diz apenas: “Oh, será ótimo... Todas as mulheres se jogando em cima de você... Você terá todo esse poder.” Porque a idéia é que a cada sangue humano que bebê, você se torna permanentemente mais forte. E se você na verdade drenar por completo o sangue do corpo de uma pessoa, ficará com toda a força vital dela permanentemente.
E você ficou mais forte?
Um pouco mais forte, sim.
Mas não o tanto que haviam prometido?
Não, de forma alguma. Outra vez, eu era muito meticuloso sobre tudo isso. Quero dizer, provavelmente nunca bebi mais do que um cálice de sangue humano.
De uma vez só?
De uma vez, sim. Não é muito sangue, na verdade. E, assim, não é muita força.
Agora, essa história de que um vampiro morre e então ressuscita dos mortos, é verdade?
Francamente, tenho minhas dúvidas. Mas foi o que me contaram. E, é claro, não tem como se garantir. Quero dizer, como o cara que me iniciou, ele afirmava ter na verdade 150 anos, mas não parecia ter mais de 40.
E eles tinham certidão de nascimento para provar?
Não. Mas, de acordo com o que sei... porque ele era na verdade da
Hungria, talvez eles não tivessem certidões de nascimento nos anos de
1700. Porque ele disse que nasceu em torno do século 18... século 19.
Você já ouviu sobre casos de assassinato que podem ter sido causados por vampiros?
Bem, desde quando me converti, tenho amigos que me procuraram e me disseram que haviam mantido contato com policiais, principalmente no oeste dos Estados Unidos, especialmente em São Francisco e Los Angeles, onde freqüentemente pessoas sem-teto
apareciam com buracos em seu pescoço e sem nenhum sangue no corpo. E eles mantinham tudo em sigilo, porque não queriam causar pânico. Essa é a polícia comum... porque entenda que a polícia não tem um sistema para relatar um vampiro. Nem chega a ser um crime. A menos que seja considerado algum tipo de assalto, mas não há crime por ser um vampiro. E me disseram, não foi algo que eu mesmo vi, mas policiais me disseram que em algumas partes de Los Angeles, eles podem ter quatro ou cinco sem-teto que aparecem mortos todas as noites, com buracos no pescoço. Ninguém se importa porque são pessoas pobres, e é por isso que são atacadas como animais. Entenda, os vampiros são como lobos. Eles saem e encontram uma ovelha frágil que está à margem do rebanho, que pode ser pessoas sem-teto, mendigos ou pessoas que estão na rua tarde da noite e que são escolhidas. Mas entenda que algumas vezes eles não matam as pessoas. Apenas drenam sangue o suficiente para se alimentarem e depois vão embora. E a pessoa fica pensando: “O que aconteceu? Porque estou deitada inconsciente na rua?” E eles não percebem de fato o que houve porque os ferimentos se curam rapidamente.
Por que não se lembram do que aconteceu?
Porque há um tipo de poder oculto envolvido. Quase como uma tela que cobre toda a situação. E a pessoa não se lembra.
Oh! As mulheres que se ofereciam a você, elas se lembravam?
Oh, sim, porque não havia nenhuma coerção real envolvida. Mas, supostamente, não sei ao certo, se você se torna um vampiro pleno, depois de morto, você pode fazer com que as pessoas se esqueçam do que aconteceu, depois que você as ataca.
Então a noite realmente é assustadora.
Bem, sim, pode ser.
Se os pais então dizem aos filhos que não há nada de assustador por aí, isso não é totalmente verdade, não é?
Não, principalmente se você não tem Jesus Cristo como Seu Senhor e Salvador.
Existem vampiras?
Oh, sim. Na verdade, creio que existem até mais mulheres vampiras do que homens vampiros. Na verdade, uma das mulheres mais assustadoras que conheci em minha vida foi uma vampira que conheci
muito antes de eu mesmo me envolver como vampirismo, logo no começo dos meus estudos do oculto. Eu estava em uma grande conferência de ocultistas e adeptos em Milwaukee e essa mulher passou, uma loura bonita, mas com aparência de morta. Ela estava vestida como uma vampira, quero dizer, usava um vestido de couro preto bastante justo e uma capa de crochê que se movimentava como asas de morcego, e um capuz. Ela possuía uma energia em volta de si que atraía as pessoas como um ímã. Muito, muito carismática. E muito bonita, fisicamente. Ela era talvez dois ou três anos mais velha que eu, talvez 26 anos. Eu era solteiro na época, foi muito antes de eu conhecer minha esposa. Eu fiquei com a respiração ofegante, indo atrás dela. E esse amigo meu que tinha uma livraria ocultista disse: “Você não vai querer se envolver com essa mulher.” Eu tinha uma pequena capacidade de ver auras e havia uma aura negra em torno dela que era bem palpável. Era uma escuridão muito voluptuosa. Ele disse que essa mulher matava um homem em menos de uma semana. Drenava todo o seu sangue. Ela era uma vampira plena. Você não iria querer se meter com ela. Não apenas ela matava os homens, mas também os torturava sexualmente, pois o sangue fica mais estimulante com adrenalina nele. Ele fica com um certo “perfume” se há medo. E, claro, o medo produz adrenalina na corrente sangüínea, então, ela torturava os homens, drenava o seu sangue e os matava.
E, sendo bonita, isso não devia ser difícil.
Não, ela os atraía. Além disso, como eu disse, era quase como estar na presença de uma planta carnívora. Se você fosse homem, era atraído como ímã a essa mulher. Então sim, há vampiras. Em muitos casos, mais fatais até que os homens.
E o que faziam com os corpos dos que morriam?
Eu nem quis saber. Sei que me contaram depois — quero dizer, eu não tenho como saber se isso era mesmo verdade, tenho lá minhas dúvidas — mas as pessoas diziam que eles tinham banheiras de ácido e coisas assim. E, é claro, sabemos que há assassinos em série soltos por aí, que não são vampiros. São apenas, como diria, assassinos em série “normais”, e parecem que não têm muito problema em se livrar dos corpos. Ou os picotam e colocam em sacos de lixo, sei lá. Não tenho idéia.
Como é a difusão do vampirismo?
Bem, ele é difundido como qualquer outra seita, por iniciação. E também por contágio. Porque se você é mordido por um vampiro, se não passou por todo esse processo, você fica com uma enzima depositada na corrente sanguínea e isso faz você começar a ter uma atração nessa
direção. Começa a gostar das coisas das trevas. É algo muito, muito sutil. A menos que você tenha feito isso diversas vezes, não é algo que tenha notado. Começa a gostar de filmes de horror, começa a gostar do gosto de carne rua. É muito, muito sutil, mas por fim muitas dessas pessoas acabam entrando no universo gótico, indo a clubes de vampiros, coisa do tipo. E podem entrar em um relacionamento vampiresco mais sério. E assim que acho que formam seus grupos. Atacam pessoas e elas nem sequer percebem que foram “fisgadas”, e um ano depois, ou mais, já estão no universo dos vampiros.
Quantas pessoas que você conheceu eram vampiros de verdade?
Bem, acho que já disse, cerca de três pessoas que conheci eram vampiros plenos e havia um outro cara que era vampiro em treinamento.
Certo. Quantos vampiros você acha que devem existir nos Estados
Unidos?
Não sei. Antes de tudo, quero deixar claro que não tenho certeza alguma de que esses vampiros “reais” não são na verdade cadáveres animados. Honestamente não sei.
Mas e pessoas como você?

Não tenho como saber. Acho que não muitos. Talvez poucos milhares em todo o país. Mas é algo que está sendo difundido. Quero dizer, quando eu estava nisso, a cultura gótica nem existia. Agora está em moda. Quero dizer, você hoje pode acessar sites na Internet como “Primeira Igreja dos Vampiros” ou “Igreja Vampira”, coisas assim. Com isso, mais os filmes e livros, é algo que está se tornando cada vez mais popular. Então pode ser que esse índice tenha se tornado 10 vezes maior.

E você gostou de ser um vampiro?
Bem, posso descrever que é algo similar ao que ouvi dc muitos viciados sobre seus vícios. Dá dois ou três minutos de êxtase, e depois 24 horas de inferno absoluto.
Você não se tornou um vampiro pleno, apenas foi iniciado?
Isso mesmo. Porque você fica com mais fome o tempo todo, enquanto está nesse estágio intermediário entre sentir fome por comida normal e por sangue. Isso nunca passa. E é ruim pra caramba! Mas depois, já atormentado, comecei a ter desejo por sangue, queria sair e
matar as pessoas contra a vontade delas... como se alguém quisesse morrer por vontade própria. Queria atacar o pescoço das pessoas. Queria rasgá-las em pedaços. Era tudo o que eu podia fazer... foi por causa do meu amor por Sharon e o fato de que se eu fizesse algo assim, poderia arruinar nossas vidas, nosso casamento, porque estaria tirando uma vida humana. Era horrível. Era como ser um viciado, com o objeto de dependência em todo canto ao redor e sem poder pegá-lo.
Isso consumia seus pensamentos?
Sim, bastante. Por incrível que pareça, a única coisa que eu conseguia fazer com isso era escrever. Escrevi umas histórias horríveis, uns romances ocultistas, muito malignos, e que eu usava como terapia para me livrar dos meus — (risos) — demônios. Mas nem isso durou muito. Sabia que mais cedo ou mais tarde eu estaria prestes a cometer um terrível homicídio.
Entendo. E até mesmo para as pessoas más, a cadeia é uma preocupação.
Sim, claro.
Havia outras desvantagens em ser um vampiro?
Bem, claro, tudo isso aconteceu antes de explodir a AIDS, mas estou certo de que isso é um ponto a considerar. Quero dizer, acho que quando estava fazendo isso, havia já algumas pessoas com AIDS. Só que isso ainda não era conhecido. Mas sim, não poder sair à luz do sol, não poder dormir com a esposa, porque você tinha dormir em um caixão. Quero dizer, tente dormir em um caixão por uns dois anos e veja se você gosta. Não tem nada de divertido. Além do mais, eu estava sendo enganado com isso. Haviam me dito que seria como ser um ácuti ambulante pela Terra, mas nunca me senti mais miserável na vida.
Mais alguma desvantagem em ser vampiro?
Além do fato de que eu estava mais perdido que uma bola de golfe em uma plantação de trigo e a caminho do inferno, não consigo pensar em nada pior.
Certo, obrigada. Isso afetou você fisicamente desde então?
Bem, sim. Agora eu não tenho um sistema digestivo muito delicado. Ainda tenho problemas em digerir comida. Ainda tenho questões que não posso discutir porque são de natureza particular mas, (risos) em termos de problemas físicos, fraqueza física, ... quero dizer, em um certo grau,
isso me destruiu. Sei que Jesus está gradativamente me curando de algumas dessas coisas. O interessante é que agora eu tenho uma visão noturna muito ruim. Apenas recentemente ela tem melhorado. E claro, há sempre uma pequena vontade que vem à mente em sair e beber sangue. Como qualquer vício, ele sempre volta à sua mente, do nada. Mas isso não é mais um problema. Estou ciente disso, mas é algo que nunca faço, obviamente. Porque agora está sendo... bem, deixe-me pensar, aconteceu há 20 anos. Então, fazendo uso de termos dos Alcoólicos Anônimos, tenho estado limpo e sóbrio do vampirismo há 20 anos. Mas é algo terrível de se ter na memória. E algo terrível de ter na cama. Pois sempre há imagens, pesadelos, coisas assim. É horrível.
Por que você apenas saía à noite?
Bem, porque, na verdade, a luz do sol era muito prejudicial para mim. Se eu vestisse roupa de manga longa, luvas e um chapéu de abas largas e óculos escuros, eu conseguia sair à luz do dia. Mas lembro-me de certa vez inadvertidamente expor minha mão à luz do sol e em 30 segundos ela ficou cheia de bolhas... Isso porque a luz do sol é muito prejudicial para a fisiologia para alguém que está se movendo nesse domínio.
Como se mata um vampiro?
Certamente, qualquer um poderia ter me matado, porque eu ainda era um ser humano normal, mais ou menos. Mas a doutrina diz que você tem que cravar uma estaca no coração dele e então cortar a cabeça fora e encher a boca com alho, o que, claro, mataria perfeitamente um ser humano normal também. Ou com fogo ou se você os queimar até torrarem, o que costuma acontecer. Ou se você os expor por completo á luz do sol e forçá-los a ficar lá por um minuto ou dois, isso também os mataria. Eu acreditava nisso, pelo que a luz do sol havia feito comigo. Porque eu sei que se não tivesse tirado a mão, literalmente, eu teria uma séria queimadura de sol. Se eu não tivesse recolhido a mão, teria tido uma queimadura de segundo grau em um minuto ou dois.
Puxa!
Mas, novamente, não sei se tudo isso é verdade. Foi o que me
contaram. Mas não tenho o conhecimento de primeira mão.
A não ser pelo que houve com a sua mão.
Sim, a não ser por isso. Sim.
Obrigada. Como você deixou de ser um vampiro?
Bem, irei contar, mas sem o poder do Todo-Poderoso Yahweh, eu jamais teria conseguido. Quando realmente eu estava me afundando nas trevas, eu ainda era membro da Igreja de Satanás, é claro. E a cada ano eu enviava um cheque para a Igreja de Satanás para pagar minha contribuição. E esse cheque, quando voltou do banco, uma moça escreveu atrás dele: “Estarei orando por você, em nome de Jesus”. Porque ela obviamente supôs que se alguém estava dando dinheiro para a Igreja de Satanás, então estava em grandes apuros espirituais. E no meu caso, ela estava certa. Então não consigo deixar de rir disso. Porque, na época, eu estava tão enganado que pensava que Jesus era um filho de Satanás. Então joguei o cheque em uma gaveta e esqueci dele. Bem, em questão de dias toda a minha vida desmoronou. Eu já estava me sentido muito miserável. Mas perdi todos os meus poderes de vampiro depois de dois ou três dias de ter recebido aquele cheque de volta. E também perdi meu desejo por sangue. Eu estava livre disso. Foi como se Jesus tivesse me alcançado soberanamente e, mesmo eu ainda não O tendo aceitado, Ele tirou um grande farto de mim. Então pude basicamente começar a viver... Foi como se Ele tivesse me curado desse vírus, ou daquela enzima. Infelizmente, ainda levou quatro ou cinco anos para que eu me convertesse, porque quando saí daquilo, acho que já mencionei, acabei ficando com os mórmons por cerca de cinco anos, mas certamente era melhor do que ser um vampiro (risos).
Certamente!
Então, foi o poder do Todo-Poderoso Yahweh que fez isso. Eu não teria conseguido sem Ele e sabia que dentro de semanas estaria matando alguém. Mas tudo isso foi removido. Além disso, meu vício por cocaína também foi embora totalmente.
Puxa, que maravilha!
Então, “Baruch Hashem Yahweh!” (Louvado seja Deus!)
 Fonte: LIVRO Entrevista com ex-vampiro
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